Suicidologia: Biológico-Ambiente.

Este post é um recorte deste e-book. Para ter acesso clik sobre a imagem.

O espaço religioso tem muita dificuldade de pensar o suicídio a partir deste lugar (biológico-ambiente). Há, claramente, uma exacerbada “espiritualização” e, pior ainda, “teologização” do assunto. É preciso, urgentemente, desconstruir este discurso.

A Suicidologia como Conhecimento sistematizado.

É preciso pensar sistematicamente. A taxa de suicídio no Brasil subiu 60% desde 1980. Naturalmente isto se reflete nos diversos grupos sociais, incluindo o evangélico-pentecostal; considerando ainda que este é o grupo religioso com maior crescimento; segundo, o IBGE em 26 anos os evangélicos saltaram de 9% para 32% da população brasileira; e, conforme o Censo (IBGE) de 2010, 42,3 milhões de pessoas declaram ser evangélicos no Brasil, o que representava 22,2% da população brasileira. Além disto, tem questões sócio-subjetivas seríssimas que não podem ser esquecidas, como por exemplo, as levantadas por Zygmunt Bauman (1925-2017) no que ele qualifica de “líquido”. Neste sentido, pergunta-se: como estão sendo formados os novos líderes, quanto a consistência bíblica-teológica?

Uma coisa precisa ficar muito clara para todos nós:

Um pastor não se suicida por SER pastor!

O Ato Suicida acontece na condição de ser HUMANO. Portanto, quanto o Ato Suicida acontece com um indivíduo que compõe o espaço religioso, este espaço precisa ter uma olhar diferenciado, naturalmente; todavia, quando se reduz o evento apenas a este espaço, faz-se um engessamento do evento, bem como neutralizando toda e qualquer possibilidade de análise forense do evento; inclusive, impossibilita de se realizar uma Autopsia[1] Psicológica[2].

Um pastor não se suicida por ser pastor! Dizer que “pastor não tem amigos”, e tentar sustentar este discurso como uma das “causa em si” do suicídio de um pastor, é, de alguma forma ser muito inocente, além de ser conduzido por romantismo religioso inconsequente, desconsiderando todos os aspectos da Ciência Forense que envolvem um Ato Suicida. Pode até ser verdade que UM PASTOR não tenha amigos, mas a questão não pode ser reduzida com um dos eventos preditores do Ato Suicida

Ninguém é pastor em essência, ninguém nasce pastor, todos nós somos apenas, e tão somente, essencial e absurdamente humanos.


[1] T. I. Sometsä. Psychological autopsy studies – a review. European Psychiatry. Volume 16, Issue 7, November 2001, Pages 379-385. Diz que o método envolve a coleta de todas as informações disponíveis sobre o falecido por meio de entrevistas estruturadas de familiares, parentes ou amigos, além de assistência à equipe de saúde. Além disso, as informações são coletadas dos registros de assistência médica e psiquiátrica disponíveis, outros documentos e exames forenses. Assim, uma autópsia psicológica sintetiza os registros de vários informantes e registros.

[2] Hawton K, Appleby L, Platt S, Foster T, Cooper J, Malmberg A, Simkin S. The psychological autopsy approach to studying suicide: a review of methodological issues. J Affect Disord 1998; 50(2-3):269-276. / Litman RE, Curphey TJ, Shneidman ES, Farberow NL, Tabachnick N. The psychological autopsy of equivocal deaths. In: Shneidman ES, Farberow NL, Litman RE, editors. The Psychology of suicide. Scranton: Science House; 1970. p. 485-496.  / Shneidman ES. Suicide, lethality and the psychological autopsy. In: Shneidman ES, Ortega M, editors. Aspects of depression. Boston: Little Brown; 1969.  / Shneidman ES. Suicide thoughts and reflections, 1960-1980. Suicide Life-Threat Behav 1981; 11(4):198-359.

Deixe o seu comentário

error: O conteúdo está protegido !! Vá criar o seu!
google.com, pub-6092656382618265, DIRECT, f08c47fec0942fa0